Qual é a importância da vacinação para as próximas gerações?

A Dra. Thays Lovatti explica por que a vacinação segue essencial, o que a queda da cobertura vacinal ensina e como pais e avós ajudam.

Vacinar é um dos gestos mais importantes de cuidado com a saúde das crianças, e a importância da vacinação continua grande mesmo quando as doenças parecem distantes. Para que essa proteção continue existindo, precisamos incentivar a vacinação, combater a desinformação e fortalecer a confiança na ciência.

Durante muitos anos, doenças infecciosas fizeram parte da realidade de inúmeras famílias brasileiras. Nossas mães e avós viveram em épocas em que doenças como sarampo, poliomielite e coqueluche provocavam complicações graves, sequelas e mortes.

Com o avanço da ciência e a ampliação dos programas de imunização, conseguimos reduzir drasticamente o impacto de diversas dessas doenças. Entretanto, existe algo que precisamos compreender: o fato de hoje convivermos menos com determinadas doenças não significa que elas tenham deixado de representar uma ameaça. Neste texto, explico por que as vacinas seguem necessárias, o que a queda na cobertura vacinal ensinou ao Brasil e como pais e avós podem ajudar a manter as crianças protegidas.

Menina com coelho de pelúcia no colo da mãe, ao lado da avó, recebendo vacina no braço de uma profissional de saúde
Banner da campanha Juntos contra a gripe, vacinação na CVP Vacinas

Qual é a importância da vacinação?

As vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer determinados agentes infecciosos e a desenvolver proteção contra eles. Dessa forma, ajudam a prevenir doenças, reduzir complicações e evitar mortes.

Além da proteção individual, a vacinação contribui para diminuir a circulação de agentes infecciosos na comunidade. Isso também beneficia pessoas que, por determinadas condições de saúde, não podem receber algumas vacinas. Ao vacinar uma criança, portanto, não estamos cuidando apenas dela: estamos contribuindo para a proteção de toda a comunidade.

O sarampo mostra isso: teve sua circulação endêmica eliminada no Brasil, mas o país continua sujeito a casos importados e a novos surtos quando a cobertura vacinal é insuficiente. A vacinação permanece essencial para manter essa conquista.

O que a falta de vacinação pode causar?

Banner da campanha Juntos contra a gripe, vacinação na CVP Vacinas

Quando a vacinação diminui, doenças que estavam controladas podem voltar a circular, com o risco de complicações graves, sequelas e mortes que nossas mães e avós conheceram.

Nos últimos anos, o Brasil enfrentou uma redução preocupante das coberturas vacinais, influenciada por diferentes fatores, como dificuldades de acesso aos serviços de saúde, desinformação e perda da percepção do risco representado por doenças que se tornaram menos frequentes.

É importante reconhecer que o país vem apresentando avanços na recuperação da vacinação infantil. Em 2026, dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde e pelo UNICEF destacaram a redução expressiva do número de crianças brasileiras que não haviam recebido sequer a primeira dose de uma vacina com componente contra difteria, tétano e coqueluche.

Essa melhora é motivo para comemorar, mas não para baixar a guarda. Ainda precisamos garantir que todas as crianças tenham acesso às vacinas recomendadas e completem seus esquemas de imunização. Por isso, manter altas coberturas vacinais é uma responsabilidade permanente.

Como incentivar a vacinação na família

A responsabilidade de promover a vacinação não pertence apenas aos profissionais de saúde ou aos serviços públicos: todos nós podemos contribuir.

Médica aplicando vacina oral em gotas em um menino no colo da mãe, com o pai sorrindo ao lado
  • Manter a caderneta de vacinação atualizada: pais e responsáveis devem acompanhar as vacinas recomendadas para cada idade e procurar uma unidade de saúde quando houver dúvidas ou doses atrasadas.
  • Combater a desinformação: informações falsas compartilhadas nas redes sociais podem gerar medo e levar famílias a adiar ou recusar vacinas importantes. Antes de compartilhar um conteúdo, precisamos verificar sua origem e buscar informações em fontes confiáveis, como o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde e profissionais habilitados.
  • Conversar sem julgar: algumas famílias têm dúvidas ou receios sobre os efeitos adversos das vacinas. Em vez de ridicularizar ou repreender essas pessoas, precisamos ouvi-las, acolher suas preocupações e oferecer informações claras sobre os benefícios e os riscos conhecidos da imunização.
  • Dar o exemplo: quando mantemos nossa própria vacinação em dia e demonstramos confiança nas recomendações de saúde, ajudamos a tornar a vacinação parte natural do cuidado com a família.
  • Facilitar o acesso: também precisamos apoiar estratégias que aproximem os serviços de vacinação da população, ampliem a informação e reduzam obstáculos que impedem as famílias de vacinar seus filhos.

Em muitos casos, é possível atualizar a caderneta de vacinação sem precisar reiniciar todo o esquema, conforme a orientação do profissional de saúde. Já com as famílias que têm receio, a confiança é construída com diálogo, transparência e orientação baseada em evidências científicas.

Avós, pais e a filha pequena reunidos com uma profissional de saúde que segura a caderneta de vacinação

Como as avós ajudam a proteger os netos

As avós ocupam um lugar muito especial nessa história. Muitas acompanharam de perto as transformações proporcionadas pela medicina e sabem como as doenças podem afetar uma criança e toda a sua família.

Hoje, elas podem ajudar a manter a caderneta dos netos em dia, lembrar os familiares das próximas doses, incentivar a busca por informações confiáveis e oferecer apoio nos dias de vacinação. Às vezes, esse apoio é tão simples quanto acompanhar os pais até a unidade de saúde ou segurar a mãozinha do neto durante a aplicação.

São pequenos gestos que ajudam a transmitir uma mensagem importante: cuidar da saúde também é uma responsabilidade compartilhada entre gerações.

Por que é importante manter a vacinação em dia?

Manter a vacinação em dia garante que a criança complete os esquemas e fique protegida na idade certa, e mantém a cobertura alta o bastante para que doenças controladas não voltem.

Como médica e mãe, acredito que precisamos continuar valorizando as conquistas da ciência e garantindo que elas cheguem a todas as crianças. Quando uma geração confia na ciência e vacina seus filhos, contribui para construir um futuro mais protegido para a próxima. Não podemos permitir que a desinformação apague a memória das doenças que aprendemos a prevenir.

Precisamos recuperar a confiança, incentivar a vacinação e lembrar que nenhuma criança deveria ficar desprotegida por falta de informação ou de acesso. Vacinar é um ato de amor, de responsabilidade e de compromisso com as próximas gerações.

Se você tem filhos ou netos, aproveite este momento para conferir a caderneta de vacinação e conversar com um profissional de saúde sobre as doses recomendadas. Proteger nossas crianças hoje é também cuidar da saúde de toda a sociedade amanhã.

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Dra. Thays Lovatti

Thays Lovatti concluiu sua graduação em medicina e também sua residência médica, em ginecologia e obstetrícia, pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ela é pós-graduada em reprodução humana pelo Hospital Sírio-Libanês e em ultrassom obstétrico pela Cetrus - Educação Médica, ambos concluídos em São Paulo. A médica atua em consultório com pré-natal de risco habitual e alto risco, infertilidade e pré-concepção.

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